5 set
LoodologiaUm jogo de blocos abstratos
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Imagine um jogo de assassinato em massa, onde existe uma prisão em formato de poço. Você toma o papel de um carrasco, que joga vítimas inocentes para dentro da prisão, e elas são amarradas de formas variadas. Enquanto vão caindo pelo poço, elas tentam se organizar, formando uma pirâmide humana para sair de lá. Se conseguirem, criarão uma rebelião e o carrasco terá problemas: O jogo termina. Mas se você conseguir espremê-las bem, um mecanismo incinera as pobres vítimas, evitando que elas consigam escapar.
Reconhece esse jogo? Não? Pois é, se trata de Tetris.
Essa conceituação, imaginada por Raph Koster em seu A Theory of Fun, foi base para abrir essa discussão: Atualmente, cada vez mais os jogos vem se calçando em interfaces mais e mais concretas. Com o poder dos videogames das novas gerações, é possível chegar em níveis de realismo impressionantes. Mas até onde isso realmente é necessário?
O primeiro tetris, de 1895 era um jogo com uma interface puramente abstrata. São quadrados, formando linhas que desapareciam. Não havia nenhuma relação concreta nisso. E hoje, em 2008, o wii está produzindo um jogo que segue o mesmo modelo. Isso na mesma época que temos jogos com alto nível de realismo sendo lançados, como o novo GTA IV, da Rockstar Games.
É fácil entender porque são poucos os jogos que se mantém num nível de abstração como o Tetris. A aproximação com a realidade, evita que tenhamos que aprender e decorar regras, que poderiam passar despercebidas. Veja a imagem abaixo, para um exemplo mais claro:

Seria chato ter que ao olhar para o jogo, ficar se relembrando que você é a peça verde, que pode pisar nas peças pretas, mas desviar das laranjas. E que pode bater nas amarelas. Trazendo isso para um contexto concreto (fantástico, mas concreto), todas esses pensamentos se deduzem numa velocidade maior.
Mas então é bom buscar essa contextualização sempre? Não necessariamente. Muito provavelmente, o tetris descrito no início desse artigo (e que você poderá jogar aqui na Loodo), vai antigir menos pessoas que o original - Não imagino minha mãe se divertindo num jogo onde pessoas gritam de dor quando você vence - Mas ao mesmo tempo irá divertir MAIS pessoas que gostam de jogos violentos.
Isso que é verdade para jogos eletrônicos, também valem fora desse ambiente: Edward Lasker, um engenheiro que se especializou no jogo de Go (o “xadrez japonês”), disse:
While the Baroque rules of chess could only have been created by humans, the rules of go are so elegant, organic, and rigorously logical that if intelligent life forms exist elsewhere in the universe, they almost certainly play go.
Isso porque as regras de Xadrez, ainda que bem abstratas, mexem com conceitos de hierarquia humana: Peões, bispos, reis e rainhas, enquanto o jogo de Go usa conceitos basais apenas, como linha e círculo, preto e branco.
Saber como e quando criar um jogo abstrato, se valendo de sua capacidade de atingir um público maior, e quando fazer algo mais restrito, porém atingindo especificamente os interesses e habilidades de um público-alvo, é um dos desafios que nós temos que enfrentar.
Termino o post com link para um ótimo jogo recente, lançado no Kongregate: Music Catch. Outro jogo sem nenhum conceito formal, porém que é capaz de divertir bastante, pela sua ótima jogabilidade e pela intuitividade.
Fechamos assim a semana de início, sobre Tetris, e aguardamos comentários!








Bem legal a pesquisa que vcs fizeram sobre o assunto, hein! Foram bem a fundo. Isso mostra que games não são só brincadeira, mas que tb podem conter um estudo profundo.
Ótimo site… boa iniciativa.
Abs,
Angel
Essa discussão, na verdade, é sobre elementos dramáticos e como eles influenciam a experiência de jogar. Tio Zimmerman falou muito bonito sobre isso no Rules of Play, vocês deviam dar uma olhada! Abração!
Sim, sim! Exatamente isso.
O Rules of Play é um dos livros que já está na nossa biblioteca. Eu só não entendi: A gente falou algo que vá contra o que ele disse?
Zapeando o site de vocês, encontrei o jogo antes do artigo. Tive a associação rápida com a passagem do livro de Raph Koster.
Uma opinião: Vocês poderiam ter modificado algumas regras e dar a noção real de “tentativa de fuga” + Tetris.