Loodo

Loodo é um weblog licenciado pela Creative Commons License. Se você quiser usar nosso conteúdo no seu blog, site ou revista,
é só nos avisar e colocar o link para a Loodo, mantendo o conteúdo original do post, com todos os textos e links.

Criado com Wordpress

Loodo
© 2008 All Rights Reserved.

3 mar

ResenhasSem as Mãos

  • 7 COMENTÁRIOS

O futebol é o esporte coletivo mais praticado no mundo. Aqui no Brasil, é uma paixão tão forte que já foi absorvida pela cultura. Ele está por toda a parte: comerciais, praia, praça, parque, clubes, condomínios, e lógico, nos estádios.

O futebol pode unir ou até mesmo separar as pessoas. Quantas amizades começaram por conta de afinidades entre clubes? Ou, infelizmente, quantas brigas surgiram diante de divergências de torcidas rivais?

Mas antes de ser um fenômeno cultural, o futebol é um jogo. E como tal, merece uma resenha deste Blog: analisando sua história, jogabilidade e os motivos de sua incontestável popularidade.

Os primeiros registros de um jogo semelhante são encontrados na China, no século III A.C. O cuju era um esporte em equipe jogado com os pés e uma bola. E em uma de suas modalidades podia ter até 16 jogadores em cada lado!

Na Europa, desde o século XII há registros de jogos semelhantes praticados por camponeses. Jogos que ficaram famosos por sua agressividade resultante de diversas fatalidades, inclusive a morte de seus praticantes. Considerado um jogo anticristão pelo rei Eduardo III, foi proibido no Reino Unido em1314. Mas nunca deixou de ser praticado. Tanto que no século XVIII ressurge com regras oficiais.

Desde então, o futebol foi sofrendo alterações até chegar ao formato que conhecemos hoje. Em sua essência, o futebol é o que o seu nome diz: “pé” e “bola”. Qualquer desporto que inclua condução de uma bola através dos pés sem uso das mãos costuma ser uma variação do futebol.

Entenda por variações, não apenas o futebol de salão, society, ou de areia. Mas todas aquelas modalidades não oficiais. Desde uma altinha na beira da praia, ao golzinho armado com dois pares de chinelo. Sem falar naqueles que jogam usando uma “bola” improvisada com latinha de cerveja…

Esta sua enorme versatilidade é sem dúvida um fator significativo para justificar sua popularidade: joga-se futebol em qualquer lugar. Mas existem outros aspectos.

O futebol é o único esporte com bola praticado com os pés. Todos os outros usam as mãos. O que faz dele um esporte mais difícil e, por conseguinte mais emocionante. A impossibilidade do uso das mãos torna qualquer lance digno de nota. Os longos passes, dribles, arremates que são dados durante uma partida, se fossem feitos com as mãos perderiam metade de seus créditos. Diante de toda esta complexidade que envolve a sua prática, é atribuído ao gol um caráter decisivo dentro de uma partida.

Não só isso, o não uso das mãos confere ao futebol uma espécie de fator aleatório. É isso que tira dos jogadores boa parte do controle da partida. Por mais capaz que seja um jogador ele sempre enfrenta a dificuldade que é conduzir a bola sem as mãos. É o que permite uma equipe pequena ganhar de uma favorita. O jargão “o futebol é uma caixinha de surpresas” refere-se exatamente a esta imprevisibilidade.

Alheio a estas questões de jogabilidade, há um fator que não pode ser esquecido. Os movimentos deste esporte são explosivos e de uma plasticidade incrível. Dribles, fintas, chutes, cabeçadas, ou defesas: são todos realizados com movimentos que chamam a atenção de quem assiste. Uma partida de futebol pode parecer um espetáculo: uma espécie de balé (só que um pouco mais viril).

Não poderíamos deixar de mencionar o seu fator gregário. Sendo assim, seria interessante lerem também como complemento a este artigo a Loodologia postada na Sexta passada “Jogando no Plural”.

O futebol é um jogo onde o seu principal atrativo está em sua imprevisibilidade. Ou por que não dizer dificuldade? Afinal, jogar futebol é difícil até para quem é bom.



7 comentários para “Sem as Mãos”

  1. Alvaro Cavalcanti

    Por isso que eu desisti logo cedo e fui pro basquete. :-)

  2. Paula

    O futebol deriva de raízes míticas, de rituais antigos, como muito bem colocado no post. Nos seus primórdios, o cuju chinês era uma espécie de ‘dança bélica’, onde os participantes jogavam com o crânio dos adversários derrotados. Não é a toa que a bola de futebol tem dimensões que se assemelham a uma cabeça humana. O soule praticado na Idade Média era um desses rituais vale-tudo mencionados no post, que levavam até à morte de seus praticantes, onde dezenas de pessoas lutavam desenfreadamente por uma bola. O soule era um rito de fertilidade, como seu próprio nome indica ( o sol sendo imprescindível para colheitas férteis).

    Em países onde o esporte é muito popular, como o Brasil, Alemanha, Espanha, ter um time é quase-obrigatório, quase que uma senha para a cidadania. Ao ser perguntado para qual time torce, o sujeito fala ‘Real Madrid’, apesar de nunca ter ido a um jogo e não acompanhar o time pela televisão. No entanto, se falar que não torce para time algum é olhado de viés, como se não fosse um cidadão-pertencente.

    A imprevisibilidade do esporte é certamente um dos motivos que explica sua popularidade, mas também pode-se ir muito além disso. O futebol é uma metáfora para várias situações humanas e também por isso é tão popular. Ele é uma representação da sociedade por ela mesma - Ele é uma metáfora sociológica, política, antropológica, religiosa, psicológica e linguística. Não é a toa que seja tão atrativo. Ou seja, ele é guerra simbólica (vide o vocabulário futebolístico: capitão, artilheiro, tiro de meta, canhão, ataque, defesa, etc), ele é festa simbólica, ludicidade (festa arcaica, como já disse, profundamente ritualizada), ele remete ao nosso caráter grupal arcaico, dividindo-nos em clãs com diferentes brasões e totens. Enfim, esse esporte dá o que falar!

    É uma pena que seu caráter imprevisível tenha diminuido com a globalização do mesmo. O futebol internacionalizado, com times hoje muito ricos e outros muito pobres reduzem as chances de ‘dar zebra’, afinal o campeonato mais rentável para os investidores é aquele onde as manifestações aleatórias são menos frequentes. De acordo com Hilário Franco Júnior (2007), na década de 40 a chance de ocorrer uma zebra no campeonato inglês era de 48%, infinitamente maior do que a de hoje, após o crescimento da diferença do poder econômico entre uns poucos clubes e a maioria deles.
    Mas, graças à própria natureza do jogo (ou aos Deuses do Futebol, porque não?) essa imprevisibilidade não sumirá por completo, resultados inesperados sempre estarão presentes no futebol. E por essas e outras (muitas outras) ele será sempre muito popular!

    –> Livro mencionado:
    Franco Júnior, H. A dança dos Deuses: futebol, cultura e sociedade. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

  3. Paula

    Aliás, foi mal o post enorme, me empolguei! :P
    Quase não gosto do assunto, né… Parabéns por mais um ótimo e interessante post!

  4. Thiago

    Sinta-se a vontade para se empolgar… É sempre bom ler posts construtivos assim!

  5. Ubiratã Oliveira

    Pô Paula depois dizem que mulher não entende nada de bola…risos

  6. imprevisibilidade.net - Sem as Mãos | Loodo

    [...] para várias situações humanas e também por isso é tão popular. … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: [...]

  7. PAULO

    GOSTEI MUITO

Deixe um comentário

Sejam bem vindos!

Apesar da maior parte das pessoas se referir a ludo como aquele jogo de tabuleiro quadrado, que tem um percurso em forma de cruz; a palavra - que vem do latim "eu jogo" - é um sinônimo para jogo.

Para manter essa abrangência, mas para não ficarmos presos ao de tabuleiro, escolhemos o nome Loodo para esse site, onde pretendemos discutir, apresentar, trazer inovações e estudar jogos, de todos os tipos e meios. Do Wii ao jogo da velha. Do fliperama ao ludo.

Quem Somos

Raphael Aleixo é programador visual, e trabalha com design de interfaces interativas faz 5 anos.

Caetano Borges é ilustrador, formado bacharel em gravura pela Escola Superior de Belas Artes da UFRJ.

Alvaro Cavalcanti trabalha com desenvolvimento há 10 anos, é formado em ciências da computação pela UNICAP (PE).


Assine as novidades da Loodo!

Nossos jogos: