7 abr
ResenhasBig Brother Brasil
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No fim da noite de hoje, estará chegando ao fim a nona edição do Big Brother Brasil, tornando um dos seus 18 participantes o mais novo milionário do país.
Mas temos uma outra preocupação com este post, além de saber se o Max, Francine ou Priscila ganharão o grande prêmio: Queremos, nesta resenha, analisar o que existe de interessante neste jogo que vem tomando as TVs brasileiras por quase 10 anos já.
Então, vamos dar uma espiadinha nisto?
O Big Brother Brasil é um reality show aos moldes do programa que surgiu originalmente na Holanda, em 1999. É difícil se lembrar de outro jogo - excetuando é claro, o futebol - que tenha tomado os horários nobres das TVs abertas do Brasil. O Jogo do Milhão, talvez o fenômeno anterior, durou “apenas” 3 anos.
E, sem levar em consideração a qualidade do conteúdo exbido, ou analisar questões éticas e comportamentais do show, é um dado que faz com que olhemos para este programa com um olhar um pouco mais cuidadoso: Existem algumas importantes abordagens que podemos entender um pouco mais do game design do Big Brother Brasil 8.
O jogo dos espectadores
Ao terem a possibilidade de interferir diretamente no resultado do jogo, cada espectador se torna um jogador, torcendo e agindo em pró de seu personagem favorito. Tal como falamos no último artigo de sexta feira, esse jogador se põe na posição do personagem, tentando vencer junto com ele. Com isso, vem sendo comum nas últimas edições haverem mais e mais situações onde o público pode interferir com mais resultados no jogo.
E esse é um dos maiores motivos de terem acabado com a participação de personagens oriundos de sorteios dentro do programa. Você espera que o espectador se identifique com uma daquelas pessoas da casa, e não que ele faça uma pretensa justiça social: É um jogo de popularidade e identificação, não de solidariedade. Ao haver um participante que está numa situação claramente desfavorável que os outros, parte da fantasia se perde, e você passa a enxergar a realidade.
O jogo dos BBBs
Talvez uma das maiores dificuldades dos diretores deste programa seja justamente se reinventar a cada ano. Não só para tornar o BBB mais atrativo para o público de casa, mas também para não tornar o jogo previsível para quem está lá dentro. Cada nova edição traz mudanças, ainda que leves, nas suas regras. Hoje, temos elementos de sorte, de estratégia e administração de recursos (O BBB é o único dos Big Brothers a ter uma moeda própria interna ao jogo), de interatividade, de capacidade física. Cada participante tem que saber dosar um pouco cada uma dessas habilidades, além de ter que interpretar um papel (nem que seja de si mesmo) durante o tempo do programa. É um jogo que requer um esforço enorme de quem esta dentro.
E, como existem essas regras mutantes, fica difícil para quem entra poder “estudar” o jogo anteriormente, encontrar um padrão de jogo, uma forma para trapacear. Não que isso não possa acontecer, mas é dificultado a cada nova edição.
Esse ano, inclusive, o caráter de “jogo” foi ainda mais estimulado com a criação de dois times logo no início do programa. O muro, dividindo a casa, foi uma saída encontrada para a criação de uma experiência de jogo diferente, instigando os participantes tanto a cooperar quanto a competir entre si.
Além de tudo isso, os “jogadores” ainda tem que lidar com mais um fator: O confinamento: O contato como o mundo externo é feito apenas através de vozes em “off” - E propositalmente “grossas” e autoritárias, para aumentar essa sensação; e através do apresentador (Pedro Bial, na nossa edição), que, ao ser o único a falar de um modo mais próximo com os confinados, tem facilidade em criar laços de cumplicidade e confiança.
Jogos dentro do jogo
Como se já não bastasse todos esses elementos lúdicos, o próprio programa possui vários outros jogos internos, para se conseguir lideranças, imunidades, “dinheiro” e outros prêmios.
Isso começa, na verdade, antes mesmo do Big Brother ter início: Os participantes são selecionados através de uma espécie de ARG, numa competição em um site de relacionamentos, com provas dentro e fora da internet, eliminando etapa-por-etapa a maior parte dos interessados.
Uma vez o programa tendo começado, é a vez de se disputar vários jogos internos. Alguns mais simples, envolvendo resistência física ou simplesmente sorte. Mas alguns são muito mais trabalhados, e envolvem combinações de mecânicas de formas muito interessantes. Nesta edição, numa das provas houve um enorme quebra-cabeça de Sudoku, onde um dos participantes tinha que colocar os números enquanto era içado pelos outros integrantes do time, dando uma nova abordagem para um jogo já muito batido.
Novamente, não queremos entrar em méritos de analisar o quanto o programa é bom ou ruim, inteligente ou não. Mas acho que, para qualquer um interessado em game design, é um case que não pode ser desprezado, e que possui algumas várias camadas de desdobramentos, que poderiam ser muito mais estendidas se estudadas com mais calma e tempo.
Assim sendo, não precisa se sentir completamente envergonhado ao deixar esse post para votar em quem você deseja ganhar. Mas antes, por favor, deixe aqui seus comentários.








Muito bom post. Realmente é um jogo interessante, apesar do nível dos “jogadores”
Outro post muito bom! Essa forma de pensar o programa é muito boa, nunca tinha o visto como um case study para game designers… É um approach muito interessante, até p/ pessoas que abominam o programa Big Brother assim como eu!
Confesso que durante todo esse tempo de BBB eu nunca tinha olhado pra ele como um jogo.