Loodo

Loodo é um weblog licenciado pela Creative Commons License. Se você quiser usar nosso conteúdo no seu blog, site ou revista,
é só nos avisar e colocar o link para a Loodo, mantendo o conteúdo original do post, com todos os textos e links.

Criado com Wordpress

Loodo
© 2008 All Rights Reserved.

1 mai

LoodologiaEncontro casual

  • 6 COMENTÁRIOS

dash

Hoje um dos pontos mais falados pela industria de jogos eletrônicos são os jogadores casuais. Esses tais “jogadores casuais” sempre existiram, mas como o mercado de jogos eletrônicos se encontra em expansão continua eles simplesmente passaram a ser mais interessantes do que eram antes.

Jogadores casuais são pessoas que gostam de jogos mas que não dedicam nem tempo nem energia a eles. Aqui no Brasil existe muita gente que tem um PS2 apenas para poder jogar Wining Eleven, esse tipo de pessoa, por mais viciada que possa ser em Wining Eleven é um jogador casual.

O Hard Core Game ou Core Gamer joga tudo. Ele gosta de jogar e quer jogar coisas novas o tempo todo, exigente e  ligado em tendências,  e vê nos jogos mais do que entretenimento mas um hobby, que alimentado pela própria industria o torna avido por jogos mais bonitos, modernos e impressionantes.

O Casual não. Ele quer jogar, mas não leva isso com tanto afinco. Se o jogo for caro ou difícil de obter ou parecer muito complicado ou longo o casual vai desistir e procurar um jogo mais fácil. Jogadores casuais são consumidores casuais, pessoas com um perfil próximo com o do cara ali em cima que joga Wining Eleven no fim de semana, mas não fica antenado nos lançamentos e novidades.

winning-eleven

Esse mercado (dos casual gamers) é definido por pessoas que gostam de jogos mas jogam pouco porque a industria cria(va) jogos para gamers. Esses jogos são cada vez mais complexos e impressionantes, com histórias ricas, longas e desafios intermináveis. O casual não se importa com o modo NightMare/Extra Hard . Ele quer só se divertir de maneira rápida e leve.

E ai que os jogos, ou melhor, a postura dos desenvolvedores de jogos tem mudado de um tempo para cá. O Nintendo Wii é criticado porque a média de horas por semana dele é baixa. É mesmo. A intenção das pessoas que compraram Wii não é jogar todos os dias, é jogar esporadicamente, com os amigos ou em uma tarde chuvosa. Mas isso não quer dizer que todo casual jogue pouco.

O jogador casual quer uma resposta imediata, sem longas demoras e sem envolvimento maior como jogo. O flow dos jogos casuais é completamente diferente, funcionando em curtos pulsos: o cara joga cinco minutos supera um desafio, ganha alguma coisa em troca e segue em frente, seja jogando ou voltando ao trabalho. Guitar Hero é jogo que diverte muito os casuais, assim como muitos jogos de esportes, quebra-cabeças simples e a maioria dos jogos em flash. Todos eles vendem a idéia de diversão rápida e leve, “só uma partidinha”. E a saideira sempre leva mais tempo do que se imagina…

Outro local de expansão do investimento em jogadores casuais são os portáteis. Tanto o Nintendo DS quanto o PSP tem diversos jogos “bobinhos” pensados para serem jogados “no meio do caminho”. Teoricamente um portátil não deveria servir para ser usado em casa por horas a fio. É um entretenimento para matar o tempo enquanto você viaja, em uma fila ou espera de médico.

O Live Arcade e outros investimentos on-line para consoles tem jogos leves e baratos também são feitos pensando um pouco nos jogadores casuais. Outro “console” que tem atingido bons resultados com os jogadores casuais é o Iphone, e boa parte dos celulares, que justamente por serem um multifuncionais e  não vídeo-games, apesar de ter jogos. Eles atingem justamente quem quer jogar mais não se vê como um “jogador” ou seja a imagem que um jogador casual geralmente tem de si mesmo.

bejeweled

Uma coisa engraçada é que todo esse debate geralmente fica só no campo dos jogos eletrônicos. O tamanho do investimento que os jogos eletrônicos possui tem obrigado as desenvolvedoras e publicadoras a pensar em expandir o mercado, olhando para um público para o qual não costumava ou precisava olhar. Mas o mesmo não acontece com os outros tipos de jogos.

A indústria de jogos de tabuleiro, miniaturas/wargames, cards, RPG e sei lá mais o que parece viver bem com seus nichos de crescimento muito reduzido. É interessante notar como todas essas questões de game design mais intuitivo e simples pensadas para atrair mais jogadores e não-jogadores tem menos impacto no game design fora da area de games.

Não seria interessante que outros tipos de jogos também começassem a ser mais pensados para um público mais abrangente? Jogadores casuais gostam muito de jogos sociais; se jogam WAR, Perfil, Monopólio e baralho desde sempre, porque não jogar outros jogos? Claro que existe o movimento de Eurogames na Europa e o mercado de jogos colecionáveis nos Estados Unidos, mas isso ainda é muito voltado para nichos, os casuais muitas vezes não sabem que esses jogos existem, mas sabem o que é um Nintendo Wii.

Existe toda a sedução gráfica dos jogos eletrônicos, além do poder do marketing de uma industria milionária. Claro que produzir jogos eletrônicos é mais rentável(e caro) que os outros tipos de jogo. Mas ainda assim podemos sonhar…



6 comentários para “Encontro casual”

  1. Luis Augusto

    A definição de o que é um jogador casual ou hardcore ainda é muito discutida. Muitas vezes dependo do tipo de jogo, do título em si, do console, do gênero ou simplesmente do humor do jogador no determinado dia para fazê-lo tratar um game agindo de forma “casual” ou “hardcore”.

  2. Caetano

    Luis,
    Acredito que essa definição é dada muito mais pelo mercado do que pelos próprios jogadores. Eu me vejo como um hardcore (jogo de tudo e quero saber o que está rolando). Mas me divirto mais com jogos ditos casuais por não ter mais tempo/energia para jogar horas a fio um jogo que me exija dedicação e afinco (com algumas exceções)

    Considero daninho um jogador se rotular do mesmo modo que a industria os rotula. O mesmo vale para as divisões de gênero (shooter, Plataforma, RPG..)
    Isso só serve para arrumar prateleira.

    Tem um artigo bem legal, em inglês, que vê de um ponto de vista diferente e levanta perguntas diferentes sobre essa mesma questão dos jogadores casuais:
    http://www.destructoid.com/good-idea-bad-idea-casual-gaming-71341.phtml

  3. Rodrigo Medeiros

    Marketing
    Um player hardcore, por estar sempre antenado nas novas tendências, não precisa de marketing ou milhões de propagadas para ver ou achar um lançamento, ele sempre encontra previews e teasers e ja fica no aguardo. E eu pergunto: Como alcançar jogadores casuais nesse meio? Resposta: Marketing, uma boa propaganda no melhor estilo casual em lugares/sites longe de onde um player hardcore estaria, chamaria a atenção desse tipo de player, isto é, se queremos que ele(casual) veja realmente o game, ou então podemos jogar na net e esperar para que meia dúzia joguem e esqueçam.

  4. Arthur

    Sempre achei essa definição de jogadores “hardcore” e “casuais” errada. Ou, ao menos, chata.

    Jogo de tudo, mas isso não me torna hardcore, pelo simples fato de me divertir aos montes com Wii Sports, Super Mario Galaxy (ou qualquer outro Mario), Spore e The Sims. E já me peguei saindo do TS2 pra jogar uma partida de Half-Life 2 ou Call of Duty 4. Ou seja, eu sou o que? Um gamer. Verdadeiro gamer, sem preconceitos contra tipos de jogos.

    E acho que é nesse mercado em si que as empresas devem se focar. Nos jogadores, aqueles que se divertem com uma matança em Unreal Tournament mas também ficam horas desbravando os “mundos” de Super Mario. Com meu Wii sinto total ausência de jogos mais maduros. Mas sinto que no PlayStation 3 não há aquelas horas de diversão sem compromisso. Cadê o meio termo? O Nintendo DS, ao meu ver, é o que mais se aproximou disso nos últimos tempos, além do PC, que está mais desorganizado que nunca.

    Nem hardcore nem casual, gamer de verdade.

  5. Caetano

    Ainda acho que um jogador que joga de tudo e dedica muito tempo e energia sendo um jogador além consumindo informação sobre o universo de jogos atende sim pelo rótulo de HardCore. Por mais que esse rótulo não sirva muito bem, como no meu caso ou do Arthur.

    Todo rótulo apresenta uma visão estreita de qualquer ponto de vista. Como disse é muito mais interessante para quem rotula do que para quem é rotulado. A indústria incentiva essas divisões porque assim tem maior facilidade em produzir jogos para públicos específicos.

    A questão é que justamente se voltar e produzir para nichos é limítrofe. Esses ambientes geralmente são estagnados por contarem com gostos e opiniões bem definidas e pouco abertas para negociação.

    Acho que o que mercado(de games) vem fazendo, é, sob alguns aspectos, inteligente. Misturar gêneros e tentar atingir os “não-jogadores” expande o universo de “sim-jogadores” além de apresentar opiniões e gostos que não se conhecia e permitir a produção de um ambiente mais variado e mais rico de jogos.

    Não sei dizer se marketing é a única solução. Claro que para atingir um público maior você tem que fazer essas pessoas saberem que o que se pretende vender existe. Mas muito mais do investir em propaganda e acompanhar tendências os jogos tem de ser bons, claros e amigáveis; especialmente com novos jogadores.

    É inútil fazer uma propaganda ferrenha se o jogo lançado espanta novos jogadores/consumidores por ser difícil/complicado ou longo demais. Quase sempre todo esse “hype” feito sobre um jogo que está para ser lançado atinge muito mais a comunidade de gamers do que a de não-gamers. E ai você não expande o número de jogadores.

    Mas vou parando por aqui senão isso vira outro artigo…

  6. Arthur

    Não me considero hardcore, assim como conheço outros jogadores que não sabem até hoje qual console comprar (muitos já desistiram e voltaram pro PC).

    O que me afeta nessas rotulações é que os jogos acabam ficando sempre os mesmos. Cite dez exemplos de jogos adultos pro Wii. E dez casuais para o PlayStation 3. No fim, acabamos sem muitas opções de escolha, e com uma dúvida enorme sobre qual produto adquirir.

    Um exemplo interessante de jogo que parece hardcore mas que o público casual pode gostar é Mirror’s Edge, um First-Person Action (de Shooter ele tem muito pouco). E de jogo casual que vai agradar os hardcore é LittleBigPlanet, um jogo de plataforma no melhor estilo Mario World que usa as leis da Física no tranco.

    Afinal, que jogador eu sou? Hardcore não, mas casual também não. Quero um console para GAMERS, não para esses rótulos fúteis.

Deixe um comentário

Sejam bem vindos!

Apesar da maior parte das pessoas se referir a ludo como aquele jogo de tabuleiro quadrado, que tem um percurso em forma de cruz; a palavra - que vem do latim "eu jogo" - é um sinônimo para jogo.

Para manter essa abrangência, mas para não ficarmos presos ao de tabuleiro, escolhemos o nome Loodo para esse site, onde pretendemos discutir, apresentar, trazer inovações e estudar jogos, de todos os tipos e meios. Do Wii ao jogo da velha. Do fliperama ao ludo.

Quem Somos

Raphael Aleixo é programador visual, e trabalha com design de interfaces interativas faz 5 anos.

Caetano Borges é ilustrador, formado bacharel em gravura pela Escola Superior de Belas Artes da UFRJ.

Alvaro Cavalcanti trabalha com desenvolvimento há 10 anos, é formado em ciências da computação pela UNICAP (PE).


Assine as novidades da Loodo!

Nossos jogos: