6 out
ResenhasDomínio
- 7 COMENTÁRIOS

Em meados de 1994, um jogo de cartas mudou completamente o panorama do game design: O lançamento de Magic:The Gathering criou toda uma nova ótica sobre os jogos de cartas colecionáveis, mudando a maneira de se pensar em jogos e criando todo um mercado financeiro paralelo envolvendo suas cartas.
Nos anos que se sucederam, vários outros jogos de cartas seguiram o mesmo modelo básico de design: Um jogo onde você tem que montar seu próprio baralho, comprando pacotes e mais pacotes de cartas, em busca das melhores opções para seu deck, de forma que fique melhor que de seu adversário. Mas, no ano passado, surgiu um jogo que, apesar de ter as mesmas premissas, permitiu novos olhares sobre esse tipo de jogo.
Dominion, jogo de Donald X. Vaccarino, lançado em 2008 pela Rio Grande Games, a primeira vista poderia ser rotulado como apenas mais um, entre o tanto de jogo de cartas que existem hoje. Seu objetivo é construir o melhor baralho possível, e usar as cartas deste seu deck para vencer o adversário. A grande diferença é a forma que se dá essa construção.
Enquanto em Magic, e todos os similares, existe todo o “metajogo” da construção do baralho: Algo que acontece a priori do jogo de fato – numa experiência fora da esfera lúdica, ainda que no intuito da competição – em Dominion, essa montagem do deck se torna algo dentro das regras do jogo. Você constrói enquanto joga, tornando isso parte da experiência lúdica. O jogo também permite que cada jogador esteja em igualdade total de condições de montar seu próprio baralho, pois todas as cartas disponíveis para os jogadores estarão em cima da mesa, no início da partida. Não existe uma corrida fora de jogo por cartas “melhores” ou mais raras.
Isso não significa que o jogo está contido por uma quantidade pequena de cartas e/ou opções: A caixa de Dominion (Enorme para um jogo de cartas, mas muito útil para manter tudo organizado) vem com 500 cartas. Parte delas estarão presentes em todos os jogos: as cartas de pontuação e dinheiro. Além dessas, existem 24 tipos de cartas de ação diferentes. Cada jogo começa com 10 dessas cartas, que vem em montes de 10. A partir daí, você monta seu baralho – durante o jogo – usando o seu dinheiro e sua estratégia. Além disso, já possui uma expansão – Intrigue – que pode ser jogada tanto sem a necessidade do jogo original ou como uma expansão de fato e uma nova – Seaside – a ser lançada no fim do mês.
Seguindo os moldes da maioria dos chamados Eurogames, Dominion tem regras bem simples. A maior dificuldade inicial é decorar e/ou ter que reler cada carta de ação que possui um efeito distinto. Mas o jogo é leve e não dura mais que 30 minutos, permitindo que seja jogado várias vezes sem cansar.
É um jogo muito bom, mas tem defeitos pequenos: Salvo por poucas cartas, o jogo promove pouca interação entre os jogadores. Além disso, seu tema (Senhores de terra medievais construindo seu reinado), é pouco percebido durante o jogo, e a abstração normalmente supera o tema. Mas nada que tire os méritos do design do jogo, que já levou mais de 7 importantes prêmios, com um ano de seu lançamento.
E acredito que continue sendo alvo de boas críticas e resenhas. Assim como a revista digital “The Escapist” nomeia, é realmente o jogo de cartas de uma geração que não quer mais receber o seu entretenimento de uma forma fechada. Em Dominion, você cria o seu próprio jogo, enquanto joga.








[...] This post was mentioned on Twitter by Pclloh and Shingo Watanabe. Shingo Watanabe said: RT @Loodo: No blog: Domínio: Em meados de 1994, um jogo de cartas mudou completamente o panorama do game design: .. http://bit.ly/Qe8im [...]
Cara…
Eu realmente me apaixonei por esse jogo. É exatamente essa questão de integrar a montagem de Deck ao jogo que torna ele tão interessante.
Quanto a interação entre jogadores não sei o quão disruptiva ela seria na estrutura do jogo, mas futuras expansões podem resolver isso(e mesmo assim só com o Básico e o Intrigue já dá para preparar uma mesa com bastante interação).
Tenho o Dominion, realmente é muito bom.
Um outro problema do Dominion são as imagens das cartas. Poderia haver mais diversidade. Por exemplo as cartas de Ouro e prata e bronze são da mesma cor!
E as cartas de vitória não passam de um número ao lado de um escudo, sendo que teoricamente elas representam terras do seu reino. Com desenhos nas cartas aumentaria a imersão do tema, que é baixo.
Eu não tinha atentado para a gravidade dessas escorregadas nas artes das moedas e das terras/propriedades. Elas realmente parecem muito mais números abstratos do que elementos de jogo.
Com certeza se estivessem mais integrados no jogo com uma arte mais interessante isso faria muita diferença.
Infelizmente de modo geral toda a parte de arte e layout do Dominion deixa a desejar. As artes do Intrigue então, são de doer. Mas como jogos são sistemas ele continua sendo um jogo excelente.
(mas um tratamento de direção de arte mais feliz ia ajudar muito a tornar a experiência de jogo mais prazerosa…)
olha o que encontrei
http://www.runadrake.com/
Vão lançar em português!
Olha só, muito legal. Ainda não estávamos sabendo desses lançamentos. Ainda, infelizmente, o problema do alto custo pela importação, vai continuar. Mas ao menos a barreira da língua – que pode proibir muitos jogadores de ter acesso ao jogo – vai cair. Ótima notícia, Paulo!
Realmente é uma ótima notícia! Mesmo sendo em português de portugal e ainda tendo que importar já aproxima esses jogos do público nacional.
Quando empresas como a Devir(que tem os direitos sobre Catan no Brasil) vão voltar a investir nesse mercado tão pouco explorado aqui de jogos de tabuleiro modernos?