16 out
LoodologiaJogando no plural
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Brasileiros jogam. Nesse caso, o plural é essencial. Não por conta da concordância gramatical apenas, mas porque somos gregários. Nós procuramos companhia, somos conhecidos mundo afora como um povo bastante sociável. O Carnaval, um feriado onde essa pluralidade se destaca mais, vem justamente ser um dos maiores símbolos do nosso país.
Não espanta muito ver como os jogos parecem funcionar de uma forma bastante similar em nossa cultura. O futebol, símbolo máximo da nossa expressão lúdica, é jogado oficialmente por 22 participantes. Mas quem que nunca viu, ou até mesmo jogou, partidas com mais ou menos jogadores – Onde o que realmente importava era que todos participassem?
É engraçado: Jogos são normalmente atividades sociais, mas acabam que “jogadores” são sempre rotulados como participantes de um nicho. Isso tem uma boa explicação. Durante o último aniversário do Castelo das Peças, o game designer Antonio Marcelo falou muito bem sobre algumas condições muito particulares dos jogos no Brasil:
Primeiro que são ainda vistos como brinquedos, o que – aos olhos de quem não joga – infantiliza a atividade e todos que participam dela. Segundo que vivemos num país sem inverno: Não temos o costume (ou a necessidade) de ficar dias dentro de casa. E por último, somos um país com uma porcentagem baixíssima de pessoas completamente alfabetizadas: Um manual de regras é um grande dificultador para a maioria dos brasileiros, que mal lêem um livro por ano.
Uma das soluções apontadas durante a discussão, foi que aceitássemos esse fato, e que fossem produzidos jogos visando de fato, um público de nicho. Mas, outra solução que também existe é mudar um pouco a forma de se produzir jogos: Pensar em jogos que estimulem um pouco mais do sentido original da palavra: Congregação.
Esses jogos, chamados lá fora de “Party-Games” são em grande maioria bons vendedores por aqui. É o caso de “Imagem e Ação” e “Perfil“: Jogos que mesmo tendo (teoricamente) um número limitado de pessoas, permite com facilidade que muitas pessoas joguem ao mesmo tempo.
Procurando pela internet, você também pode encontrar outros tipos de jogos para reunir pessoas, e que ainda tem a grande vantagem de não precisar de materiais especiais: No máximo baralhos, papel e caneta.
Ler e conhecer boa parte desses party-games é um ótimo exercício para quem pretende criar jogos: Todos possuem uma mecânica extremamente simples e poucos recursos externos. São sintéticos, não se preocupam em ser precisos, bonitos ou infalíveis: Querem divertir e socializar.
E, como sempre, é fácil ver que isso é igualmente verdade ao se falar dos jogos eletrônicos. O sucesso do Wii, por si só já seria um argumento em defesa desses jogos que reúnem várias pessoas. Mas talvez, um exemplo ainda melhor – e mais específico – desse fenômeno gregário do Brasil se apresente de forma disfarçada: O Orkut. Apesar de não ser um jogo, a competição gerada (principalmente se levando em conta os primeiros anos da ferramenta no Brasil) era bastante clara: Quem tinha mais amigos? Esse tipo de corrida fez com que, em pouquíssimo tempo, toda a rede social fosse completamente invadida por brasileiros.
Então, vez ou outra, é bom sim assumir e curtir o Carnaval, os jogos de futebol, as saídas com amigos. Saber lidar com o plural talvez seja o que mais falta para um bom game design que vá realmente agradar ao povo tupiniquim!







