20 out
ResenhasPensamento,palavra
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Ergon/Logos é um jogo narrativo em flash produzido por Paolo Pedercini para o Experimental Gameplay Project, cujo objetivo é o desenvolviment0 de jogos de maneira extremamente dinâmica: Por uma pessoa e em apenas sete dias.
Antes de começarmos jogue o jogo ao menos uma vez. Spoilers adiante. Infelizmente o jogo é em Inglês e se você não tiver domínio do idioma não é possível aproveitar a experiência plenamente, devido a dinâmica do jogo.
Terminou de jogar? Então podemos prosseguir.
O jogo é inteiramente textual, apesar de não se encaixar na definição de aventura textual convencional onde o jogador digita para interagir com o texto do jogo. Aqui o jogo é um fluxo de texto continuo, marcado por uma música ansiosa e acelerada.
A leitura se desenrola de maneira dinâmica e as escolhas a serem feitas são “momentos encruzilhada” da narrativa. Nesses pontos são criadas bifurcações (com duas ou mais opções) que tem de ser selecionadas agilmente com o mouse, passando-o sobre a primeira palavra da sequência de texto desejada, já que o texto não para. O texto prossegue por aquele caminho, deixando a outra alternativa para trás e assim por diante. Caso o jogador não decida o jogo prossegue pela direção mais linear.

O jogo é só isso. Simples leitura envolvendo escolhas que alteram o rumo da narrativa. O fluxo de texto ininterrupto faz com que a história se desenrole diante dos olhos do jogador/leitor acontecendo a medida que é lida, não existe muito tempo para reflexão ou dúvidas. As alternativas aparecem e a decisão tem de ser feita quase que imediatamente, pois a história não para.
Esse é o ponto de destaque do jogo. Mesmo sendo uma narrativa inteiramente textual o uso da mídia eletrônica torna o jogo uma “leitura em tempo real”. Isso se reflete no teor do texto, simples e icônico e acelerado, mas não por isso sem intensidade ou reflexão. Todo o jogo é uma analise crítica e uma desconstrução narrativas tradicionais de heroísmo e aventura. Ou ao menos a primeira parte.
O segundo momento extrapola essa desconstrução e parte pra uma leitura pesada, psicológica e metalinguística. É muito interessante por mais inconcluso que seja. O resultado final da jornada do jogador/leitor é aberta e vaga. Poderia ser diferente? Sim, mas não há como ter certeza.

A busca por um resultado bom ou “canon” não existe. Não existem boas ou más escolhas, mas apenas escolhas capazes de alteram o resultado final, apesar desses diversos finais não possuírem uma relação qualitativa. Não existe sucesso nem fracasso, apenas o fim daquela história. A próxima narrativa será completamente diferente.
Esse é o outro ponto interessante do jogo. Ele não possui desafio nem condição de vitória nem propriamente um desafio, apesar de certos finais serem mais difíceis de alcançar do que outros. A própria estrutura labiríntica e acelerada do jogo dificulta que o jogador mapeie as alternativas possíveis para tentar ou ter certeza que obteve todos os finais, pois esse não é ponto.
Tudo isso ocorre acompanhado de um bom trabalho de tipografia do autor somado a uma boa música(feita por Melissa St.Pierre), reforçam os dois momentos do jogo e a relação dicotômica entre ambos. Tornado toda a experiência intensa e ágil, permitindo ser rejogada algumas (ou muitas) vezes.
No fim se mostra um conceito muito interessante. Mesmo não se encaixando na definição tradicional de jogo, podendo ser definido até como “experiência narrativa interativa”, Ergon/Logos é um ótimo trabalho envolvendo narrativa não linear e literatura.








[...] This post was mentioned on Twitter by Loodo and Pclloh, Imprensa Gamer. Imprensa Gamer said: Pensamento,palavra: Ergon/Logos é um jogo narrativo em flash produzido por Paolo Pedercini para o Experimental .. http://bit.ly/17eW1g [...]
Caraca muito bom!!!!!
Lembra aqueles livros de rpg antigos…
Podiam fazer um traduzido…