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13 nov

LoodologiaRegras para as Regras

  • 3 COMENTÁRIOS

regras

Ao desenvolver jogos para computador, videogames ou quaisquer outros aparelhos eletrônicos desse tipo, acabamos nos desacostumando a pensar com mais afinco nas regras dos nossos próprios jogos. Programando corretamente, você não terá uma preocupação se seus jogadores jogarão errado o seu jogo. Eles podem até não saber jogar, mas dificilmente subverterão as regras, ou deixarão de fazer algo que seria essencial para o game play desejado.

Mas, quando voltamos para jogos não-eletrônicos, temos que escrever essas regras. E pior – temos que fazer com que outras pessoas entendam perfeitamente o que queríamos dizer com aquilo que escrevemos. Criar um bom manual talvez seja um dos grandes desafios. E vamos tentar aqui encontrar alguns recursos para ajudar nessa missão.

Jacob Davenport, em seu blog, deixa bastante claro quais os três ideais a se alcançar na hora de construir regras: Síntese, clareza e abrangência. Ou seja: Remover do manual, tudo que não vai ser útil para o jogador aprender o jogo. Isso inclui piadinhas, descrições de cenários, história do game design do jogo… Óbvio que excessões existem. O recém lançado (na feira de Essen 2009) Dungeon Lords, que é um jogo bastante complexo de gerência/alocação de recursos, tem um tema bastante descontraído, o que facilita a aproximação de novos jogadores. Seu manual faz uso de humor e piadas, mas de uma forma a realmente auxiliar o entendimento do jogo, que é complicado.

No seu site Numberless, Scott Jon Siegel, também ajuda bastante com mais dicas sobre criação de regras para jogos. Listaremos algumas das mais importantes aqui:

  • Começar do fim – É sempre importante deixar claro, no início das regras, qual o objetivo do jogador. Partindo de uma lógica, todas as outras regras servem para se chegar na condição de vitória, e serão mais fáceis de explicar tendo isso em vista.
  • Do geral ao específico – De forma similar ao que acontece com outros veículos como revistas e jornais, primeiro dê conta das regras mais gerais do jogo antes de entrar em situações específicas e exceções. Diga primeiro o que acontece com mais frequência no jogo, antes de relatar os acontecimentos mais raros.
  • O que pode, antes do que não pode – Similar ao dito antes, diga primeiro o que os jogadores podem fazer. Eles tendem a entender melhor o que é explicado primeiro, e as proibições ficarão mais claras após entender as regras gerais.

Mais dicas podem ser encontradas no blog de outro game designer, Kristof Berg, o “Metagama“. Além de outras dicas mais globais, vale a pena destacar algumas formas alternativas que você pode encontrar para explicar as regras do seu jogo. Usar fichas de ajuda rápida (recurso bem comum em jogos modernos), exemplos, tutoriais em flash animados (O jogo Smallworld tem um excelente tutorial online), protótipos digitais para se jogar sozinho… As opções são muitas e bem variadas!

Além dessas dicas todas, um excelente sumário, feito pela daVinci Games, também está disponiblizado de graça no site da empresa.

Por último, seguindo o que Scott Siegel fala, um último link interessante, que diz o que você NÃO deve fazer na hora de escrever suas regras. Bem humorado, o texto de Nick Wedd pode dar um fechamento numa primeira tentativa de escrever regras. Nós aqui na Loodo já sofremos muito durante esse processo e temos noção que os nossos primeiros manuais ainda estão devendo em clareza e objetividade. Mas tentaremos sempre trazer mais artigos, e ir aprendendo.



3 comentários para “Regras para as Regras”

  1. Tweets that mention Regras para as Regras | Loodo -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Juliana and Loodo, Alysson W. Silveira. Alysson W. Silveira said: Muito interessante. =] http://bit.ly/3Lnn68 (Via @Loodo) [...]

  2. Caetano

    É engraçada a relação entre jogos eletrônicos e regras.

    As regras nesses jogos geralmente são apresentadas como as “regras do mundo”, como se fossem leis físicas ou limitações de interação. Isso funciona muito bem para quem está plenamente habituado com esse tipo interação, é intuitivo.

    Mas para pessoas que não estão acostumadas com esse aprendizado na base da experimentação “o que faz esse botão”, as vezes a experiência é meio confusa.

    A minha mãe por exemplo. Tem mais de 50 anos e gosta (muito) de jogar video-game, geralmente jogos de acumulo de recursos e que não tenham uma curva acentuada de dificuldade.

    Mas quando joga invariavelmente ela me usa com “manual” quando não está entendendo alguma coisa, que para mim um gamer, era só questão dela testar para entender, mas ela sente falta de explicações mais claras as vezes.

    Ela faz parte de um grupo de jogadores que não tem uma relação tão intuitiva com jogos eletrônicos, pois mesmo jogando não entende o que pode e não pode fazer a não ser que lhe seja dito ou que ela tenha observado antes.

    Acho que essa é uma das razões dos tutoriais estarem se expandindo nos jogos: atingir grupos que não jogariam se não tiverem as regras antes mas que não quer ler regras, quer sair jogando.

  3. Bonifacio Segundo

    Puxa! Muito bom o post. Especialmente pelos links e por essas dicas do Scott Jon Siegel. Ele fala um monte de coisas bem óbvias que, paradoxalmente, são muito difíceis de perceber. :s

    OK, Vocês entenderam.

    Parabéns pelo blog.

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Apesar da maior parte das pessoas se referir a ludo como aquele jogo de tabuleiro quadrado, que tem um percurso em forma de cruz; a palavra - que vem do latim "eu jogo" - é um sinônimo para jogo.

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