8 jan
LoodologiaJogos e Educação. Como Relacioná-los?
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A capacidade educativa dos jogos já não é nenhuma novidade para nós que os estudamos. Como citamos no artigo “Porque Tão Sério?”, existe uma categoria inteira de jogos que são criados com o intuito explícito de educar e treinar, mas neste mesmo artigo nós mencionamos que as plataformas para estes jogos podem ser as mais diversas possíveis.
Jogos digitais, de cartas, de tabuleiro, de realidade aumentada, etc. São várias mídias e vários assuntos, várias mecânicas e vários métodos de ensino, mas… como relacioná-las?
Apesar deste assunto ser complexo o suficiente para render uma tese de Mestrado ou Doutorado vamos agora tentar relacionar alguns pontos e promover uma discussão – fiquem à vontade nos comentários.
Em Desembro do ano passado Jim McGinley postou no Gamasutra seu relato de uma palestra de Brenda Brathwaite no MIGS (Montreal International Game Summit). No texto ele descreve como Brenda conecebeu o primeiro exemplar da sua série “The Mechanic is the Messge” para jogos de tabuleiro. A idéia veio ao conversar com sua filha sobre o As Rotas de Comércio de Escravos, como relata McGuinley:
Brenda: Oque você aprendeu na escola hoje?
Filha de 7 anos: Aprendemos sobre o comércio de escravos. Os africanos foram levados para a América, e então Abraham Lincoln libertou a todos.
Cabeça de Brenda: WTF?
Este primeiro jogo consistia em: pegar uma quantidade qualquer de peças, que era divididas em 4 cores, colocar num “navio”, juntamente com marcadores para comida e sobreviver por 10 rodadas. A cada rodada o jogador lança um dado e retira a quantidade indicada de comida. Não demora muito para perceber que a comida não vai ser suficiente, e que será necessário descartar escravos para chegar ao final.
O relato diz que elas não terminaram a partida e que a filha conseguiu entender de fato o que acontecia nestas viagens.
Brenda, juntamente com Ian Schreiber, escreveu no seu livro Challenges for Game Designers que ao criar um jogo para ensinar um assunto o game designer deve identificar qual parte deste assunto é a mais divertida. Divertida, neste caso, em termos de aprender, ou seja o que é mais curioso, mais interessante. A parte em que todos os alunos vão passar 10 minutos prestando atenção antes de virar a cabeça para o lado.
Em seguida devemos procurar mecânicas que transmitam melhor estas idéias/conteúdo, e só então procurar adicionar mais coisas.
Como nós não somos pedagogos, vamos começar pensando em mecânicas de jogos e suas características e quais tipos de assuntos poderiam fazer uso delas:
Jogos de plataforma:
- Progressão linear: útil para passar uma informação sequencial e que não exigisse muita exploração.
- Coleta de ítens: o instinto de colecionar é inato ao ser humano, e admirar sua coleção também. Portanto distribuir ítens relativos a um assunto pelo cenário e que possam ser exibidos juntos posteriormente irão incentivar não só a sua recuperação como assimilação.
Jogs adventure/RPG:
- Imersão: dada a característica alta de imersão destes jogos eles se tornam perfeitos para manter a atenção mesmo com temas densos como História.
- Quebra-cabeças: estimulam não só o raciocínio ágil como o lógico, pois o jogador deve descobrir o relacionamento entre diversas informações.
Jogos de Estratégia:
- Gerenciamento de recursos: no quesito analisar prós e contras esta é, talvez, a mecânica mais explícita. Assuntos que ofereçam informações conflitantes ou que precisem demonstrar decisões difíceis encaixam bem aqui.
- Estratégia e contingência: aprender a planejar ações e reagir aos imprevistos são uma constante nestes jogos, e assuntos como Gerenciamento de Equipes e Logística serão muito bem representados.
É fácil percebermos que este artigo poderia crescer indefinidamente, como bem atestamos no primeiro parágrafo. Mas se nós vamos parar – por ora – por aqui, vocês podem continuar e deixar as suas sugestões e críticas abaixo. Que a discussão comece!








Sem dúvida poderia crescer muito. No final do ano passado publiquei o livro “Games em Educação: como os nativos digitais aprendem”, mas teria muito mais coisas para falar.
http://blog.joaomattar.com/863/
Não entendi, pelo menos considerando o diálogo entre a mãe e a menina me pareceu que ela não aprendeu muito.
Exatamente, este é o ponto, Renato. Ela não aprendendeu muito, ou melhor, ela não aprendeu, de fato, o que aconteceu.
Ela só assimilou a parte simples e “bonita” (se é que assim podemos dizer) e não o que, de fato, acontecia nesta época.