Loodo

Loodo é um weblog licenciado pela Creative Commons License. Se você quiser usar nosso conteúdo no seu blog, site ou revista,
é só nos avisar e colocar o link para a Loodo, mantendo o conteúdo original do post, com todos os textos e links.

Criado com Wordpress

Loodo
© 2008 All Rights Reserved.

19 jan

ResenhasO mundo dentro de uma casca de noz

  • 3 COMENTÁRIOS

smalllogo

Todo mundo já jogou WAR, RISK ou algum similar. A receita é simples: Você coloca suas peças no tabuleiro ocupando-o, assim que todo o tabuleiro está cheio você começa a traçar sua estratégia e a fazer suas tropas aumentarem. Isso é muito importante. Faça suas tropas aumentarem. Jogos guerra muitas vezes são vencido com base em superioridade numérica, especialmente os mais simples.

Mas não é assim funciona em Small World. Nesse ótimo jogo de tabuleiro a lógica fica invertida e cada jogador começa forte e vai enfraquecendo no decorrer do jogo, até que abandona a raça com que está jogando e assume outra, voltando a se fortalecer. Tudo isso funciona de maneira extremamente simples e elegante.

O jogo começa com a definição do número de jogadores (de dois a cinco), o que irá definir o tabuleiro usado. O jogo possui quatro tabuleiros, um para cada número de jogadores. Isso por si só demonstra um grande cuidado com o balanceamento do jogo e é extremamente importante para o funcionamento do mesmo, como se verá a seguir.

Feito isso, são embaralhadas a raças disponíveis e os poderes especiais. Eles então são alinhados em uma sequência de seis, com o sexto de ambos sobre os demais restantes (são muitas raças e poderes).

Então começando por algum dos jogadores,cada um recebe 10 moedas de valor 1, que são os pontos do jogo e escolhe uma das combinações de raça+poder criadas. A primeira raça da fila é de graça, enquanto as seguintes custam cada uma uma moeda adicional, que é deixada como “pedágio” na raça(s) anteriores.

Ou seja para pegar a terceira raça da fila você deve deixar uma moeda na primeira e na segunda raças. Isso é um implemento muito bom para valorizar combinações ruins, que vão ficando pelo caminho, mas Toda vez que uma raça é escolhida a fila anda, e uma nova raça entra na fila de possibilidades, e como essa raça estava antes oculta não existe como saber qual será a próxima combinação até alguém pegar alguma das raças disponíveis.

Só isso já gera um grau de aleatoriedade/rejogabilidade amplo para o jogo, pois cada combinação funciona de forma completamente diferente, e as estratégias tem de ser traçadas a partir disso e de sua vez no turno.

A vez no turno é muito importante porque assim que você escolhe uma raça imediatamente se deve entrar com ela em jogo. Não se espera pelos demais jogadores, não existindo um set-up no tabuleiro antes do início de cada partida.

small2

Aqui entra um dos diferenciais do jogo. Cada jogador começa com sua raça com força máxima, “invadindo” o mapa de jogo por alguma das laterais. Assim que os terrenos possíveis/desejados são conquistados o jogador ganha pontos por eles e as vezes por alguma relação entre eles e o poder especial que possuir.

Assim que todos os jogadores entram em jogo com suas raça uma coisa fica evidente: Não há espaço para todos. Isso é um pouco obvio, pelo nome do jogo, mas é outra peça chave do balanceamento do mesmo. Isso obriga os jogadores a lutarem uns contra os outros, mesmo não querendo, pois o espaço livre termina rapidamente.

No decorrer de cada rodada a tendência é que cada raça vá ficando cada vez mais fraca, até não ser mais interessante e ser abandonada, entrando em “declínio”, que e outro ponto de fino balanceamento do jogo.

Uma raça em declínio ainda está em jogo e ainda rende pontos ao jogador que a controlava, mas não pode mais ser movida nem possui mais seu poder especial, a não ser que este diga o contrário.

Boa parte da estratégia do jogo envolve a escolha de raças e saber o momento certo de entrar em declínio, pois é nesse momento que o jogador fica mais vulnerável, pois ao entrar em declínio você perde a rodada inteira, não jogando com a raça velha que agora está em declínio, nem a nova, que só será adquirida no início da rodada seguinte.

Os combates são resolvidos por simples maioria. Para entrar em um terreno vazio você precisa de duas tropas, para entrar em um terreno com uma tropa você precisa de três tropas e assim por diante. Apenas uma peça não importa quantas derrotadas é descartada, sendo as demais devolvidas para o seu dono, para não acelerar o jogo demais. Simples e funcional.

small1

A estratégia básica do jogo é simples e todo o sistema é fácil de compreender sem deixar o jogo pobre ou rapidamente cansativo. Tudo no jogo tem um aspecto leve e bem humorado, que direciona o jogo a  partidas com um ambiente leve e despretensioso, com turnos curtos e onde todas as decisões são relevantes a curto e longo prazo.

Isso faz com o jogo seja dinâmico impedindo o jogador de ficar entediado ou esperando tempo demais a sua vez, e assim que ela chega tudo acontece rapidamente, sem maiores complicações estratégicas ou resoluções complexas.

Em suma, Small World é um excelente jogo de tabuleiro, ótima para jogar entre amigos interessados em jogos leves e que exijam pouco dos jogadores sem menosprezar os mesmos. E Tudo isso embrulhado em um tratamento visual belíssimo seja na caixa, no tabuleiro ou nas peças.

Infelizmente só existe importado, com (muito) remotas chances de ser traduzido. Como sempre.

Um pouco fora de assunto, diante dessas diversas resenhas da Loodo sobre jogos que não podem ser adquiridos no Brasil fica a dica: Aos interessados, procurem por listas e eventos de jogos de tabuleiro, elas são fáceis de achar nas grandes capitais e nos eventos é fácil entrar e jogar, sem ter que comprar nada! Só aqui no rio temos o diversos eventos como o Torre das Peças que rolou sábado passado, além de outros que podem ser encontrados no sempre atualizado calendário lúdico do E ai, tem jogo?.

O título deste artigo faz referência o famoso livro O Universo em uma casca de Noz de Stephen Hawking.



3 comentários para “O mundo dentro de uma casca de noz”

  1. Alexander Costa

    Pra quem quiser jogar Smallword aqui no Rio de Janeiro vai ter Castelo das Peças no dia 30 de janeiro, sábado.

  2. Cássio

    Esse jogo é muito bom!

    Um dos primeiros “modernos” que eu joguei e é até hoje um dos favoritos! É muito balanceado, e tem uma rejogabiidade extrema. Simples de aprender, é indicado para viciar novatos nos jogos de tabuleiro ehehehe. Mas também é indicado aos veteranos, pois tem um bom fator estratégico.
    Produção impecável, components excelentes e ilustrações de Miguel Coimbra.

    Enfim, é um jogão!

  3. Tweets that mention Loodo» Arquivo do Blog » O mundo dentro de uma casca de noz -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Matheus Bonela and Loodo, Imprensa Gamer. Imprensa Gamer said: O mundo dentro de uma casca de noz: Todo mundo já jogou WAR, RISK ou algum similar. A receita é simples: Você c.. http://bit.ly/8tXoJi [...]

Deixe um comentário

Sejam bem vindos!

Apesar da maior parte das pessoas se referir a ludo como aquele jogo de tabuleiro quadrado, que tem um percurso em forma de cruz; a palavra - que vem do latim "eu jogo" - é um sinônimo para jogo.

Para manter essa abrangência, mas para não ficarmos presos ao de tabuleiro, escolhemos o nome Loodo para esse site, onde pretendemos discutir, apresentar, trazer inovações e estudar jogos, de todos os tipos e meios. Do Wii ao jogo da velha. Do fliperama ao ludo.

Quem Somos

Raphael Aleixo é programador visual, e trabalha com design de interfaces interativas faz 5 anos.

Caetano Borges é ilustrador, formado bacharel em gravura pela Escola Superior de Belas Artes da UFRJ.

Alvaro Cavalcanti trabalha com desenvolvimento há 10 anos, é formado em ciências da computação pela UNICAP (PE).


Assine as novidades da Loodo!

Nossos jogos: