16 mar
ResenhasA Ilha do Doutor Necraux
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Um grupo de resgate de elite é reunido para resgatar um grupo de cientistas aprisionado em uma ilha cheia de armadilhas pertencente ao nefário doutor Necraux. Essa é a sinopse do jogo The Isle of Doctor Necraux, um card game lançado pela AEG e desenvolvido por um velho conhecido da Loodo Jonathan Leistikow.
A embalagem acompanha um baralho de aventura contendo duas cartas especiais, “os cientistas” e o “modulo de fuga”; além de um segundo baralho, de personagens. Soma-se a isso três dados e um marcador de tempo com três contadores e varias fichas cartonadas.
O jogo consiste em explorar a ilha revelando cartas do baralho de aventuras e enfrentando os desafios que nele venham a surgir, resgatando os cientistas e finalmente escapando no modulo de fuga, tudo isso antes que o tempo (número limite de rodadas) acabe.
O set-up acontece da seguinte forma: o baralho de aventura de 75 cartas é embaralhado e então dividido em três partes iguais. A primeira parte fica assim mesmo; a segunda recebe a carta “os cientistas” e é novamente embaralhada, assim como a terceira parte recebe o “módulo de fuga” e também é embaralhada.
Então o baralho de aventura é reunido com a terceira parte no fundo, a segunda no meio e a primeira, que não recebeu nenhuma carta, por cima. Isso permite controlar aproximadamente o fluxo do jogo, mas mantendo uma certa aleatoriedade e imprevisibilidade no desafio a ser enfrentado pelos jogadores, fazendo com que o jogo não seja nem demasiadamente curto nem demasiadamente longo.

Até ai o jogo se assemelha com alguns jogos de cartas de exploração, onde o jogador deve ir revelando cartas e sobrevivendo até que determinada carta surja ou o baralho acabe.
O diferencial de “The isle of Doctor Necraux” está no baralho de personagens. Cada jogador (o jogo aceita de um a cinco) utiliza três cartas do baralho de personagens para formar sua personagem. Nesse ponto a explicação fica um pouco confusa, pois o jogo se refere ao grupo de jogadores como time, mas chama o baralho de “baralho de personagens” dando a entender que cada carta é um personagem, abrindo assim o entendimento de que “time” é o conjunto de três cartas usado por cada jogador e não o conjunto de jogadores. Chamar o baralho de baralho de arquétipos, características ou algo do tipo poderia tornar tudo mais claro.
Cada jogador compõem sua personagem com três cartas desse baralho (de 33 cartas), sendo que cada carta possui tipos e habilidades diferentes, gerando sempre combinações diferentes e fazendo com que a cada partida os heróis que vão enfrentar os desafios da ilha possam mudar muito, tornando as partidas mais difíceis ou fáceis em determinados situações apresentadas pelo baralho de aventura. Mas de modo geral as cartas do tipo combate do baralho de personagens são as mais importantes, apesar de uma configuração apenas voltada para combate ser muito limitada.

Além disso durante essa etapa de configuração de personagens cada jogador deve selecionar uma carta das três que compra e passar as outras duas adiante, e assim que receber as outras duas cartas (no caso de um jogo com mais de dois jogadores) ficar com apenas uma e passar a outra adiante. Isso permite um mínimo de estratégia e customização ao jogadores, dando a eles algum controle do tipo de personagem que vão possuir.
No mais o jogo tem tudo que se espera de um jogo de cartas do gênero: combates, armadilhas, eventos e itens. Cada carta de personagem interage melhor com cada tipo de desafio, sendo alguns mais versáteis ou específicas do que outras.
Outro diferencial é que se trata de um jogo colaborativo, ou seja, quando jogado por mais de um jogador as ações devem ser decidas em conjunto, e a dificuldade de certas situações se ajusta dependendo do número de jogadores. Na caixa diz que pode ser jogado sozinho, mas é claramente um jogo bem mais difícil ao ser jogando sozinho.
A arte é digna de nota, e embarca bem no espírito de ficção científica retrô em uma ilha repleta de armadilhas e ameaças. Com referência direta ao Flash Gordon, dando ao jogo personalidade e identidade próprias que se perderiam se ele entrasse no, por exemplo, habitual exploração de masmorras de fantasia medieval.
No computo geral “The Isle of Doctor Necraux” é um jogo leve, com bom acabamento apesar de nada primoroso, excelente arte e
bom para partidas descontraídas e rápidas, mas peca no aspecto de se tratar de um jogo muito simples para se jogar em conjunto repetidas vezes mas muito difícil de ser vencido se jogado sozinho.
No mais parabéns a Jonathan Leistiko pela publicação. Quem sabe Chtulinária não dá sorte um dia desses?








