13 abr
ResenhasMirror´s Edge
- 1 COMENTÁRIO

Mirror´s Edge foi um dos jogos mais interessantes lançados do final de 2008 início de 2009. O jogo poderia ser resumido como um “prince of persia” de primeira pessoa, o que poderia soar um pouco simplista e injusto mas é bastante apurado. Isso é claro se ignorarmos os elementos das armas de fogo. Mas vamos começar pelo começo.
O jogo faz parte de uma nova leva de jogos chamados de FPSs híbridos. O que seria uma designação incorreta, mas dada a todo jogo em primeira pessoa. Escolha de marketing para facilitar a venda. Apesar de haverem sim elementos de FPS, como combate armada e movimentação tática isso é apenas um elemento do jogo, e não seu foco.
A proposta de Mirror´s Edge é como dito no inicio ser um “prince of persia” em primeira pessoa. Ambientando em uma cidade contemporânea fictícia o jogador encarna Faith, uma “Runner”, pessoa responsável por transmitir mensagens e realizar missões, em geral de reconhecimento, se deslocando agilmente pela cidade usando Parkou.
Os Runners existe como forma de resistência ao governo ditatorial presente na cidade, e são perseguidos pelas autoridades. Aquela coisa de sempre do protagonista contra um sistema repressivo instituído. A coisa toda vai ficando mais complicada no decorrer da história, que por sinal não se encerra no fim do jogo, um mal habito comum hoje em um mercado recheado de continuações. Mas a história é o que menos importa.
O jogo é uma lição de level design em 3D. Todos os ambiente possuem mais de uma forma de serem superados, desde o modo mais simples e obvio até rotas mais difíceis de serem localizadas e realizadas.
A movimentação acrobática do jogo, assim como toda sua abordagem em termos de física e combate é bastante realista. Saltos mal calculados resultam em morte e podem ser bastante frustrante pois muitas vezes se trata de tentativa e erro. Apesar de na maior parte do tempo se tratar de ver o que tem de ser feito, algumas vezes a dificuldade de execução pode ser um obstáculo irritante para alguns jogadores.

Os combates são rápidos e intensos e a fragilidade de Faith (dois ou três tiros são o suficiente para derruba-la normalmente) obrigam o jogador a tentar isolar os oponentes se movendo velozmente pelo ambiente a procura de cobertura.
O jogo não é severo quanto a morte, certamente pela quantidade de vezes que você morre até entender que está tomando a decisão errada e não jogando mal. Quase sempre se tudo for bem executado o jogo salva seu progresso em gameplays de cinco a dez minutos aproximadamente.
Todo o gameplay é muito bem realizado e utiliza poucos botões, a movimentação é fluida e uma característica notável é que a re-jogabilidade do jogo acontece em parte pelo seu flow, pois quanto melhor você se torna mais bem executados são seus movimentos e mais agradável é op ritmo do jogo.
Toda a estética do jogo é muito leve, extremamente bem executada. Com certeza um dos jogos mais bonitos lançado nos últimos anos. O uso de cor é pontual e com matizes muito brilhantes ressaltadas pelo constante uso de branco. Tudo que não importa é branco, os oponentes são azuis escuro ou pretos (uniformes policiais e paramilitares) e em vermelho ficam os pontos de maior destaque do jogo.

A cor vermelha é usada para direcionar o jogador, servindo de indicativo de onde ele tem de ir e com quais objetos deve interagir para chegar rapidamente (mas não o mais rápido) até os pontos chave do cenário.
As cutscenes são apresentadas entre cada capítulo/fase em animação em flash. Muito diferente do que costuma se ver por ai.
A trilha sonora é igualmente leve flutuando para tons mais agitados apenas em momentos chave de perseguição ou combate, deixando o jogador bem treinado e fazendo com que ele reaja “adestrado” as situações apresentadas.
Por fim o jogo possui alguns desbloqueáveis (feature que hoje não pode faltar em nenhum jogo), com artes e trilha sonora. Além disso possui um modo “Speed Run” e “Time Trial” com ranking global para os mais metódicos.
No fim Mirror´s Edge é um jogo lindíssimo com um excelente flow e level design. A re-jogabilidade é baixa e não é para todos por ser baseada essencialmente em correr e errar pouco, os oponentes são desafiadores a primeiro encontro mas por não serem o foco do jogo não apresentam nada de interessante depois batidos (apesar de cada encontro do jogo ter seu próprio interesse).
Para quem gosta de “puzzels físicos” é uma boa pedida, mas a tentativa e erro podem espantar muito do seu público potencial. Algo que talvez mude em uma possível continuação, apesar de não ser uma boa escolha.
Bônus: Para quem ficou com vontade tem uma versão em flash de Mirror´s Edge em 2D aqui!








No mundo de jogos que tenho p/ jogar está difícil adicionar títulos à lista. Mas não é de hoje que esse jogo já tinha me convencido. Quando vou ter tempo pra jogar é outra história, mas jogarei!